No outro dia estava com uma colega no corredor, a fumar, quando aparece um outro colega nosso que após a conversa circunstancial me inquire sobre um projecto em que participamos em comum, embora em àreas distintas.
Após lhe informar o ponto de situação do projecto ele sai-se com esta pérola do surrealismo verbal:
“epá, ainda de manhã peguei em três gajos, tive reúnido com eles, hã. Eu chego à conclusão, hã, que quanto mais um gajo estuda, hã, depois um gajo anda aqui, hã, e depois… epá, pó caralho a todos!”
claro que o meu cérebro respondeu de imediato
WOW… MQC?!?
Mas físicamente eu apenas consegui puxar o fumo do cigarro o mais lentamente e profundamente que pude, para entre inspirar e expirar ter tempo para tentar perceber o que ele estaria a tentar dizer, ou pelo menos qual a sua inclinação em relação àquele assunto. Seria bom tipo “sou muito bom e com 3 gajos dominei a ciência”? Ou seria mau tipo “epá estes gajos não percebem nada de nada, nem sei como é que têm um curso superior”?
Não inspirei o suficiente: já passaram mais de 72 horas deste acontecimento e ainda assim não percebi.
A minha colega foi bem mais sensata e aproveitando a hora tardia do dia disse, num tom condescendente: “vai para casa descansar.”
Nessa altura eu ainda estava no processo de expirar, enquanto pensava “preciso de arranjar uma série de saídas neutras”, assim uma espécie de desbloqueadores de conversa mas que poderão ser interpretados pelas outras pessoas da forma que mais lhes convier. Isso sim, isso era de valor.



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